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Bósnia-Herzegovina deve reconhecer direitos das sobreviventes de crimes sexuais, dizem especialistas

Na Bósnia e Herzegovina, dezenas de milhares de vítimas de violência sexual cometidas durante o conflito na década de 1990 ainda aguardam justiça, disseram nesta quarta-feira especialistas em direitos humanos indicados pela ONU.

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Entre 12,000 e 50,000 meninas e mulheres foram estupradas pelas forças armadas no país de 1992 a 1995, segundo a ONU Comitê para a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres (CEDAW).

Uma dessas mulheres, uma croata bósnia identificada apenas como SH para proteger sua privacidade, foi roubada e estuprada na cidade de Prijedor, ocupada na época pelas forças sérvias bósnias.

Arquivado

Ela relatou o incidente à polícia, mas não obteve uma cópia do relatório oficial e nenhuma investigação foi aberta. Em 2008, SH descobriu que seus arquivos iniciais do caso haviam sido descartados 10 anos após o crime.

Depois de entrar em contato com o painel da ONU em 2017, ele disse, após analisar seu caso, que sua experiência refletia a situação de muitas vítimas de violência sexual relacionada a conflitos, cujos casos não haviam sido investigados de maneira oportuna e eficaz.

Em um comunicado, também observou que o estupro causou danos físicos e psicológicos a SH, incluindo uma infecção genital grave, para a qual ela não podia pagar o tratamento.

Os especialistas independentes indicados pela ONU acrescentaram ainda que, desde o ataque, SH sofria de depressão e um distúrbio de personalidade.

Ela também vivia abaixo da linha da pobreza desde que se divorciou em 2009, explicaram.

Em um apelo às autoridades para prosseguir com as investigações contra os perpetradores de todos os ataques sexuais, o Comitê para a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres (CEDAW) disse que eles agiram de forma ineficaz e muito lenta.

Compensação insignificante

Em 2019, as autoridades finalmente reconheceram o status de SH como vítima de violência sexual relacionada a conflitos e concederam a ela uma pensão mensal por invalidez de US$ 66. 

Tal compensação para as vítimas não é proporcional ao dano sofrido, insistiram os especialistas independentes.

No caso de SH, ela sofreu graves danos físicos que afetaram sua saúde e direitos sexuais e reprodutivos, acrescentaram, bem como os danos psicológicos e materiais que sofreu por mais de 25 anos após o incidente.

Uma vida de pobreza 

Uma pesquisa da ONU realizada em 2017 sobre os obstáculos socioeconômicos enfrentados por sobreviventes de violência sexual relacionada a conflitos na Bósnia e Herzegovina mostrou que 62% dos sobreviventes estavam desempregados, 64% não tinham apoio social e mais da metade deles vivia abaixo da linha de pobreza. 

Entre suas recomendações, o Comitê instou o governo da Bósnia e Herzegovina a garantir que os sobreviventes de violência sexual durante a guerra tenham acesso total a recursos nacionais, alívio efetivo e reparações com base na igualdade perante a lei.