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Justiça em movimento: Tribunais móveis oferecem esperança para comunidades no Sudão do Sul

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Justiça em movimento: Tribunais móveis oferecem esperança para comunidades no Sudão do Sul

Sua missão: preparar o terreno para a implantação de um tribunal móvel, prevista para começar no próximo mês. Essa iniciativa chega em um momento extremamente oportuno para as vítimas de crimes que, por muito tempo, acreditaram que a responsabilização era algo inatingível. 

Desde 2018, o Sudão do Sul, a nação mais jovem do mundo, continua a enfrentar profunda instabilidade e violência, apesar de um acordo de paz que visava pôr fim a anos de guerra civil. 

Os confrontos armados entre forças governamentais, grupos de oposição e milícias locais continuam a deslocar milhares de pessoas, agravando uma situação humanitária já crítica.

A violência sexual é generalizada. 

“Minha filha de 8 anos foi estuprada e eu não sei o que fazer, pois o futuro dela já está comprometido”, explicou Grace Hadia, mãe de uma sobrevivente de violência sexual. “Não consigo dormir desde o ocorrido. Espero que a justiça seja feita com a implementação do tribunal móvel.” 

Forças de paz da ONU acompanham especialistas em justiça até Mundri, uma região remota de Equatória Ocidental, no Sudão do Sul.

Durante a avaliação, surgiram muitas histórias semelhantes e profundamente dolorosas. As autoridades documentaram 35 casos pendentes, incluindo nove casos de homicídio, 15 envolvendo violência sexual e de gênero e outros relacionados a roubo e outros crimes mais graves. 

Líderes locais afirmam que a violência de gênero é um problema que continua a crescer. 

“Recentemente, durante um funeral, uma mulher foi estuprada por sete homens. Ainda estamos procurando os suspeitos para que sejam levados à justiça”, disse Zilpha Dawa, comissária do condado de Mundri West. “O que nos falta é uma delegacia especializada em violência de gênero na delegacia de polícia.” 

Esses casos são frequentemente tratados como crimes comuns. Precisamos urgentemente de pessoal treinado para lidar adequadamente com denúncias de violência de gênero e manter registros precisos.” 

Sem tribunais, sem julgamentos 

A ausência de tribunais em funcionamento também deixou muitos suspeitos detidos durante anos sem julgamento, contribuindo para a grave superlotação carcerária.

Um close dos pés de uma pessoa acorrentada, com um tribunal móvel ao fundo, no Sudão do Sul, destacando os esforços do sistema judiciário para lidar com casos criminais graves.

Tribunais móveis estão ajudando a promover a justiça no Sudão do Sul.

“Passei dois anos e meio na prisão sem julgamento. Agora tenho esperança de que o tribunal móvel chegue e que a justiça finalmente prevaleça”, declarou um dos supostos autores do crime. 

O processo de Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul está apoiando a missão de avaliação e o tribunal móvel para fortalecer a cadeia de justiça e construir confiança entre as comunidades no Estado de Direito. 

Os tribunais móveis representam mais do que procedimentos legais; eles trarão responsabilização e reconciliação. E para muitos, é a primeira esperança real de que a justiça, há muito esperada, finalmente seja feita. 

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