Quanto dinheiro? – uma pergunta que ouvimos diariamente – seja no supermercado ou no restaurante, quando nos perguntamos quanto custará a conta; ao nos candidatarmos a um mestrado e verificarmos o valor da mensalidade; após uma entrevista de emprego, quando nos perguntamos qual será o nosso salário caso sejamos contratados… O dinheiro desempenha um papel central na economia. Isso pode parecer bastante simples e, em certa medida, é – o dinheiro é usado como medida de valor. O valor de uma refeição em um restaurante é, portanto, representado pela quantia paga por ela. O valor dos serviços (educação e similares) recebidos durante o mestrado é representado pela mensalidade paga (e, no caso de universidades públicas, também pelo financiamento parcial do Estado), e o valor do trabalho é representado pelo salário recebido. Este último exemplo, no entanto, é onde as coisas se complicam um pouco e não são tão simples. Trabalho (Atividades e esforços realizados por uma pessoa para produzir bens/serviços, medidos em termos de salários.) é peculiar.
Apesar de vivermos em tempos de constante mudança em todos os aspectos, o trabalho continua sendo um elemento fundamental da economia mundial, sem o qual a economia não seria capaz de funcionar. A contribuição humana no processo produtivo, embora logicamente se esperasse que fosse cada vez menos necessária nos dias de hoje, provou ser um aspecto econômico não substitutivo. Em termos mais simples, seria de se esperar que, com o advento de novas tecnologias capazes de substituir o trabalho humano, os processos laborais humanos se tornassem cada vez menos necessários. Contudo, historicamente, com o advento das tecnologias modernas, não observamos uma queda na necessidade de trabalho humano – pelo contrário! Com o advento da linha de produção, por exemplo, a quantidade de trabalhadores necessários para produzir um produto ou mercadoria (Algo que pode ser comprado, vendido e usado.), pode ter diminuído, mas isso não significa que menos trabalhadores sejam necessários no trabalho. lógica de expansão constante O sistema econômico mundial dominante simplesmente não se sustentaria se o trabalho humano fosse substituído pela tecnologia.
Para esclarecer, uma vez encontrada uma maneira mais fácil e barata de produzir uma mercadoria, seria lógico que ela fosse utilizada para gerar mais lucro, mais dinheiro. No entanto, essa mudança em quem realiza a produção não se limitaria a uma mera substituição do produtor. Como a economia precisa crescer, ela busca novas maneiras de multiplicar o capital e criar dinheiro. Nos tempos históricos recentes, especialmente após a Revolução Industrial, o dinheiro tornou-se um fim em si mesmo, portanto, o único objetivo do sistema econômico passou a ser criar mais dinheiro. Diferentemente de épocas anteriores, em que, por muito tempo, o dinheiro foi usado apenas como meio de comprar uma mercadoria (por exemplo, grãos). Aqui, aplica-se a seguinte lógica: um artesão (por exemplo, no século XVIII)th século ou anterior) fabrica um vaso de barro (uma mercadoria) para vendê-lo e obter dinheiro, que usaria para comprar algo (outra mercadoria, por exemplo, grãos) para sustentar sua vida. Isso pode ser visualizado de forma simples usando a fórmula crítica (marxista):
C – M – C'
onde C representa o produto final (o vaso de barro), M representa o dinheiro que o artesão ganhou com a venda do produto inicial e C' representa o segundo produto (os grãos que o artesão comprou com o dinheiro ganho). O dinheiro ganho representa o valor do vaso de barro vendido. O processo de produção deste vaso, no entanto, exigiu a participação do artesão – ele precisou usar suas mãos, materiais e tempo para criá-lo do zero. Portanto, podemos dizer que seu trabalho também tem valor. O artesão não poderia ter vendido o vaso de barro considerando apenas os materiais utilizados, pois não teria condições de comprar os grãos após a venda. Assim, o dinheiro que ele ganhou com a venda do vaso (o lucro obtido) seria o preço do produto final menos o preço dos materiais utilizados.
Pfinal - Pmateriais = Pganhou
onde Pfinal é o preço pelo qual ele vendeu o vaso, Pmateriais foi o preço que ele pagou pelos materiais, e Pganhou foi o lucro.
Poderíamos dizer que o lucro era a quantia necessária para comprar os grãos e, por isso, ele a adicionou ao preço calculado dos materiais para o vaso de barro. Poderíamos também dizer que esse lucro era o preço do esforço empregado na confecção do vaso – a representação monetária do trabalho investido. O preço do seu trabalho. Essa lógica, contudo, seria válida em tempos nos quais a subsistência era mais importante do que o lucro, e antes da ascensão do sistema econômico dominante atual.
O advento do capitalismo moderno, por sua vez, trouxe consigo a lógica de expansão constante que alterou a fórmula C – M – C' ao reimaginar o propósito das mercadorias e do dinheiro. Em vez de usar dinheiro para comprar novas mercadorias que seriam exploradas por seu valor de uso (uma das duas características de uma mercadoria, sendo a outra o valor de troca), o dinheiro seria usado como capital, como um investimento, para comprar uma mercadoria e então usar o valor de troca dessa mercadoria (valor pelo dinheiro) para ganhar mais dinheiro:
M – C – M'
onde M é o dinheiro inicial, aquele usado para produzir ou comprar uma mercadoria, C é a mercadoria em questão e M' é o resultado desejado – mais dinheiro do que o inicialmente investido.
Aqui também, o trabalho é de importância fundamental. Ele é utilizado no processo de produção de mercadorias, no qual são os processos de trabalho que, de fato, criam uma mercadoria (com ou sem o auxílio da tecnologia). Essa contribuição humana agrega valor à mercadoria em questão, que pode ser vendida por um preço superior ao investido. É assim que funciona a lógica de geração de lucro. Todo o processo, contudo, requer uma terceira parte – uma parte disposta a investir, que possua capital que deseja e precisa multiplicar. Essa parte (digamos, um empresário, um confeiteiro, por exemplo) investe uma certa quantia de dinheiro de duas maneiras: (1) para comprar os produtos necessários para produzir um bolo (e cobrir outros custos) e (2) para pagar alguém para fazer esse bolo, ou seja, para remunerar a mão de obra investida (a menos que o próprio confeiteiro seja quem o faz). Os produtos em si não podem agregar valor à mercadoria final (o bolo) a ponto de ela ser vendida por um preço superior ao dos próprios produtos. É, portanto, a contribuição da mão de obra que permite ao confeiteiro vender o bolo por um valor superior ao investido em sua produção.
Neste exemplo de geração de lucro, parece que o trabalho não é um aspecto aparente e evidente, facilmente reconhecido. No entanto, ele é facilmente monetizado e seu valor é reconhecido pela quantia de dinheiro paga por esse trabalho. Essa financeirização do trabalho é uma característica fundamental da economia moderna e faz sentido. Lembremos – Se algo gera lucro para a economia, é importante para ela.O trabalho gera lucro? Claro que sim – o valor agregado pelo processo de trabalho na produção de mercadorias é fundamental para a geração de lucro. Mas aqui surge a questão: não se trata apenas de trabalho. trabalho assalariado que existe no mundo. Ou melhor, nem todo trabalho realizado é remunerado.
O trabalho, por definição, está ligado a esforços realizados (relacionados à produção de mercadorias), pelos quais são remunerados, portanto, diretamente ligado ao dinheiro (tanto em termos de ganhos – salários, quanto em termos de produção – lucro). É por isso que trabalho é o termo econômico. Às vezes, porém, trabalho e trabalho são usados de forma intercambiável – ambos os significados esforços feitos para atingir um objetivoEmbora "trabalho" seja o termo mais geral, referindo-se tanto a atividades remuneradas quanto não remuneradas, é também o termo geralmente ignorado nos debates econômicos. Há muito mais esforços humanos que contribuem para a sustentação da economia do que o trabalho assalariado. No entanto, eles permanecem sem contabilização. Reprodução social (Todos os esforços realizados fora do trabalho remunerado para que uma pessoa/pessoas possam sustentar suas famílias, como fazer compras, cozinhar, limpar, cuidar de alguém e assim por diante.) é o termo genérico usado por pensadores (críticos) para reunir tais esforços, tal trabalho, tal trabalho não remunerado, por assim dizer. Ele engloba muito mais do que apenas esforços que geram dinheiro diretamente. No entanto, a economia não o considerou um aspecto importante de si mesma, já que ele não se enquadra evidentemente na categoria de Se der lucro, conte com isso. lógica. A mesma economia que tende a escolher propositadamente quais partes do meio ambiente natural cuidar e quais ignorar, mais uma vez se esquece de uma escondido aspecto de si mesmo.
Nesta continuação de "Oculto da Economia", pretendo revelar como o sistema econômico mundial, propositalmente ou acidentalmente, "esconde" de si mesmo parte do trabalho, apesar de este ser crucial para a sua sustentação. Aqui, o Sem dinheiro, sem importância. A lógica é um pouco diferente. Nesse caso, a economia parece ter uma relação complexa com os diferentes tipos de trabalho dos quais depende. Nos próximos artigos, discutirei essa relação e me concentrarei em responder à pergunta:Como e por que a economia externaliza alguns processos de trabalho e de emprego, e contabiliza outros?Tudo isso porque, para entendermos as questões trabalhistas e relacionadas ao trabalho, precisamos primeiro compreender como elas surgiram e por que continuam a se manifestar.
