O comissário Valdis Dombrovskis disse aos eurodeputados que a Europa enfrenta um novo teste económico, uma vez que o conflito no Médio Oriente aumenta os custos da energia, obscurece as perspetivas da inflação e exerce uma nova pressão sobre as finanças públicas.
BRUXELAS — A Comissão Europeia alertou que o mais recente choque energético ligado ao conflito no Oriente Médio pode desacelerar o crescimento em toda a UE, aumentar a inflação e complicar as escolhas fiscais do bloco, justamente quando as regras orçamentárias reformadas da UE estão entrando em uma fase mais exigente. Em discurso na Comissão de Assuntos Econômicos e Monetários do Parlamento Europeu, em 9 de abril de 2026, a Comissária Valdis Dombrovskis Afirmou que a economia europeia está mais uma vez sendo testada por eventos que ultrapassam suas fronteiras.
Na sua declarações aos eurodeputadosDombrovskis afirmou que os ataques no Estreito de Ormuz e à infraestrutura energética desencadearam uma das maiores interrupções na cadeia de suprimentos da história do mercado global de energia. Ele observou que um cessar-fogo de duas semanas, anunciado recentemente, trouxe algum alívio a curto prazo, com o petróleo Brent sendo negociado abaixo de 100 dólares por barril, mas ressaltou que a perspectiva permanece incerta e que a Europa está exposta a um possível choque de estagflação — crescimento mais fraco combinado com inflação mais alta.
Os números apresentados pelo Comissário não constituíam uma previsão formal, mas sim uma análise de cenários. Em caso de uma interrupção de curta duração, a Comissão estima que o crescimento da UE em 2026 poderá ficar entre 0.2 e 0.4 pontos percentuais abaixo do nível projetado na sua Previsão Económica de Outono, enquanto a inflação poderá subir até 1 ponto percentual. Se as interrupções no fornecimento se prolongarem e se agravarem, o crescimento poderá ser entre 0.4 e 0.6 pontos percentuais inferior e a inflação entre 1.1 e 1.5 pontos percentuais superior, tanto em 2026 como em 2027.
A resposta política já está a tomar forma. Conclusões de 19 de março de 2026O Conselho Europeu solicitou à Comissão que apresentasse um conjunto de medidas temporárias específicas para lidar com os recentes aumentos nos preços dos combustíveis fósseis importados, juntamente com medidas concretas para reduzir os preços da eletricidade e conter a volatilidade excessiva. Dombrovskis disse ao Parlamento que a Comissão está preparando propostas que reduziriam a tributação da eletricidade em relação aos combustíveis fósseis, melhorariam a eficiência da rede elétrica e revisariam partes do Sistema de Comércio de Emissões, incluindo a Reserva de Estabilidade do Mercado, em um esforço para reduzir as oscilações de preços.
Ao mesmo tempo, Dombrovskis argumentou que a resposta não pode se limitar a medidas de ajuda emergencial. Ele afirmou que a prioridade estratégica continua sendo a transição para uma economia europeia mais eletrificada, com redes elétricas mais robustas e menor dependência dos voláteis mercados de combustíveis fósseis. Essa linha de pensamento está em consonância com o debate mais amplo que já se delineia na Europa sobre resiliência energética, incluindo The European TimesUma análise recente de como o choque de preços atual está reabrindo a questão nuclear.
O Comissário também aproveitou a audiência para defender o quadro fiscal revisto da UE. O novo regras de governança econômica Entrou em vigor em 30 de abril de 2024 e visa combinar a sustentabilidade da dívida com espaço para reformas e investimentos. Dombrovskis afirmou que a estrutura contém mecanismos de amortecimento integrados, uma vez que as perdas de receita causadas por um crescimento mais lento não exigem automaticamente cortes compensatórios, os gastos com juros são excluídos do índice de referência de despesas líquidas e a parcela cíclica dos benefícios de desemprego também é excluída. Mesmo assim, ele alertou que quaisquer novas medidas de apoio nacional devem ser temporárias, direcionadas e concebidas para não aumentar a demanda por petróleo e gás.
O diálogo com os eurodeputados sublinhou uma questão mais profunda que Bruxelas enfrenta atualmente: a governação económica da Europa já não pode ser discutida isoladamente da geopolítica. O que começou como um diálogo orçamental transformou-se rapidamente numa discussão sobre vulnerabilidade estratégica, dependência energética e os limites da resiliência económica numa era de choques externos repetidos. A mensagem da Comissão foi clara: a UE pode ter melhores ferramentas do que tinha em crises anteriores, mas essas ferramentas serão agora testadas em condições muito mais adversas.
