A tartaruga marinha é uma das formas de vida mais bem-sucedidas da Terra. Surgida há centenas de milhões de anos, ela é um exemplo da adaptação do mundo animal às condições em constante mudança do planeta, devido a cataclismos naturais ou à atividade humana.
A expectativa de vida das tartarugas ultrapassa a média de idade de sobrevivência dos seres humanos, mas, muito provavelmente, serão os humanos que levarão à sua extinção.
As tartarugas marinhas são encontradas em todo o mundo, mas as maiores dessa espécie habitam as costas do Mar Mediterrâneo, na região da ilha de Chipre, segundo informações do site do Centro Cipriota de Pesquisa e Educação Ambiental.
A tartaruga-verde (Chelonia mydas) atinge 160 quilos e seu comprimento pode ultrapassar um metro. Essa espécie de tartaruga se reproduz apenas nas áreas costeiras de Chipre e da Turquia, com uma porcentagem muito pequena da população encontrada em Israel.
A costa cipriota também abriga outra espécie de tartaruga – a popular tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta). Ela atinge tamanhos menores e habita a área marítima de Chipre e da Grécia. O que as duas espécies de tartaruga têm em comum, além do local onde vivem, é o fato de estarem ameaçadas de extinção.
A população de tartarugas-cabeçudas fêmeas no Mar Mediterrâneo situa-se entre 5,000 e 6,000 indivíduos. Os números relativos às tartarugas-verdes são ainda mais alarmantes. Estima-se que existam cerca de 500 a 600 exemplares em toda a região, sendo que, juntamente com a foca-monge-do-mediterrâneo (Monachus monachus), elas figuram entre as espécies animais mais ameaçadas de extinção no Mediterrâneo.
O desenvolvimento turístico descontrolado, o ruído de hotéis e restaurantes, que incomoda as fêmeas, a poluição da água do mar e o uso de métodos de pesca ilegais estão entre as principais razões para o declínio da população de répteis no Chipre.
Todos os anos, cerca de cem tartarugas morrem nas costas do Chipre, segundo um artigo do jornal cipriota "Philelefteros". No verão, o número de mortes aumenta, pois durante os meses mais quentes os répteis hibernam na superfície da água para conservar energia para a época de reprodução.
As tartarugas são protegidas por tratados internacionais e, no Chipre, as tartarugas, seus ovos e seu habitat são protegidos pela lei da pesca.
Agora, as autoridades estão introduzindo novas medidas ainda mais rigorosas, com as quais buscam preservar a população desses antigos habitantes do planeta. As medidas preveem multas elevadas e não excluem até mesmo a prisão para quem perturbar as tartarugas. As novas regulamentações proíbem o assédio e a alimentação das espécies protegidas na ilha. Além das tartarugas, também estão protegidos golfinhos (Delphinidae), enguias europeias (Anguilla anguilla) e focas-monge-do-mediterrâneo (Monachus monachus).
É proibido destruir e remover ninhos e ovos de tartarugas marinhas, bem como aproximar-se de cavernas subaquáticas onde vive a foca-do-mediterrâneo, sem as devidas autorizações. Os infratores estão sujeitos a multas de até 20 mil euros. As rigorosas medidas adotadas e já publicadas no Diário Oficial preveem pena de prisão de até doze meses.
O objetivo das autoridades é limitar ao máximo a presença humana nas áreas das praias onde as tartarugas fêmeas saem do mar para desovar. É nessas praias que os filhotes de tartaruga eclodem dos ovos e depois retornam ao mar – seu habitat natural há séculos.
O ciclo de vida das tartarugas marinhas é particularmente longo. Elas podem viver mais de cem anos, mas apenas uma em cada mil crias que eclodem atinge a maturidade sexual, de acordo com a Associação Mediterrânea para o Resgate de Tartarugas Marinhas (MEDASSET).
E a atividade humana está entre os principais fatores por trás da tendência observada de extinção de sua população.
Foto ilustrativa: pexels-zack-gilbert-2159535417-36132584
