Um grupo de políticos escreveu uma carta aberta à Secretária de Cultura do Reino Unido, Lisa Nandy, exigindo que a série de animação russa Masha e o Urso seja removida dos serviços de streaming.
Segundo o serviço russo da BBC, a carta foi assinada por 50 membros do parlamento de seis partidos – incluindo o Partido Trabalhista, os Conservadores, os Liberais Democratas, os Verdes, membros do Partido Nacional Escocês e o partido galês Plaid Cymru.
Segundo eles, a série animada é propaganda e “nada sutil”. Os deputados ficaram insatisfeitos com um episódio em que Masha, tentando proteger o jardim do Urso, primeiro coloca um chapéu com uma fita azul e uma estrela vermelha (semelhante aos usados por agentes da NKVD) e depois um capacete de motorista de tanque.
Parlamentares britânicos lembraram ao ministro da cultura que a NKVD foi responsável pelas deportações em massa, execuções e perseguições de dezenas de milhões de cidadãos soviéticos. Eles alegam que a série animada "normaliza ativamente a estética militar soviética para um público jovem global".
Os autores da carta aberta observaram que “Masha e o Urso” já havia sido criticado anteriormente por autoridades em outros países europeus.
O ministro das Relações Exteriores da Estônia, Margus Tsakhkna, por exemplo, recentemente classificou a série animada como "parte do soft power do Kremlin, que injeta imagens militaristas pró-Kremlin no entretenimento infantil, ao mesmo tempo que normaliza a agressão russa e as ambições imperialistas".
No Reino Unido, Masha e o Urso é exibido na Netflix e no serviço de streaming ITVX, pertencente à emissora britânica ITV. "Os pais britânicos têm o direito de esperar que o conteúdo que chega aos seus filhos por meio de plataformas licenciadas tenha sido devidamente verificado, especialmente quando nossos aliados levantaram preocupações legítimas sobre propaganda estatal", enfatizaram os autores da carta.
O estúdio Animaccord, responsável pela produção de Masha e o Urso, nega as acusações de disseminação de propaganda russa. Representantes do estúdio enfatizaram que a Animaccord se retirou permanentemente da Rússia a partir de 2025 e que a produção da série animada não recebeu nenhum financiamento estatal russo.
A série "Masha e o Urso" é transmitida desde 2009. Até o momento, foram produzidas sete temporadas, e a última será exibida em 2025. Além da Netflix, a série é transmitida em canais de TV e serviços de streaming nos Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Grécia, França e outros países.
A produção russa gerou um acalorado debate entre políticos, cientistas políticos e escritores russos em novembro do ano passado. A série animada de maior sucesso na Rússia, "Masha e o Urso", corria o risco de ser proibida por contradizer valores tradicionais. Masha, a personagem principal da série, foi acusada de comportamento caprichoso e de promover um modelo perigoso de independência. Um cientista político russo criticou a pequena Masha. Segundo ele, a menina de quatro anos contradiz os valores tradicionais russos por ser caprichosa e viver sozinha, o que contraria a ideologia do Kremlin, que não concebe uma menina autônoma que não se submete à autoridade masculina. A série infantil mais assistida do mundo, "Masha e o Urso", não é a única que causou descontentamento na classe política. Por exemplo, "Ursinho Pooh" causou descontentamento na China porque foi alegado que o personagem principal se assemelha muito ao presidente Xi Jinping.
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